ARTIGO - Desafios e potencialidades da indústria gráfica brasileira

18/07/2016 00h00
 

Levi Ceregato*

 

A indústria gráfica do Brasil, com 20.478 empresas e empregadora de 201 mil trabalhadores, manteve razoável portfólio de investimentos nos dois últimos anos, na importação de máquinas e equipamentos: US$ 697 milhões, no ano passado, e US$ 975 milhões, em 2014. Com aporte acumulado de US$ 5,66 bilhões de 2010 a 2015, o setor manteve um processo de atualização tecnológica que o alinha dentre os mais avançados do mundo e na vanguarda latino-americana.  

        

Como resultado dessa permanente atualização tecnológica e dos processos, a qualidade dos impressos brasileiros reflete-se no Prêmio de Excelência Gráfica Fernando Pini, realizado anualmente, que chega em 2016 à sua 26ª edição, consolidado como um dos maiores do mundo. O grau de tecnologia presente no setor também é atestado no certame pela premiação aos fornecedores, dentre eles os de máquinas, insumos e substratos. O Brasil também é um dos países com o maior número de premiações no Concurso Latino-Americano de Qualidade Gráfica Theobaldo de Nigris, destacando-se, ainda, no  Premier Print Awards, da Printing Industries of América (PIA).  

        

Em 2015, o faturamento do parque impressor brasileiro, constituído em sua grande parte por empresas de pequeno e médio portes, foi de R$ 45 bilhões de reais, equivalentes a 12,71 bilhões de dólares ou a 8,92 bilhões de libras esterlinas, ao câmbio de 12 de maio de 2016. A participação do setor gráfico no Produto Interno Bruto do Brasil (PIB) é de 0,3%, enquanto na indústria de transformação é de 3%.

        

O setor mantém expectativas positivas quanto às mudanças que ocorreram no cenário político do Brasil, com o início de um novo governo, esperando que elas proporcionem a adoção de políticas públicas mais eficazes para a retomada do crescimento econômico. Com cerca de 205 milhões de habitantes, nosso país oferece grande potencial de crescimento à indústria gráfica. A classe média brasileira, conforme estatísticas oficias, cresceu de 41% do total da população, em 2005, para 54% em 2015. São 110 milhões de habitantes, portanto, com poder de compra e consumo de produtos gráficos. Esperamos que tenham sequência o programa de inclusão socioeconômica desencadeado neste século, com numerosos projetos de ascensão à universidade, renda mínima e criação de empregos.

        

Em outubro de 2016, o Brasil terá eleições para prefeito e vereadores em seus 5.570 municípios. Também sediará, em agosto, a Olimpíada do Rio de Janeiro. Os dois eventos contribuem para um impulso sazonal do mercado de impressos.

        

A indústria gráfica brasileira também está plenamente inserida na globalização. No último exercício, teve como maiores compradores dos seus produtos os países latinos, somando 68% do total, e também os Estados Unidos, com 16%. O mercado nacional importou impressos da China (24%), Estados Unidos (19%) e Hong Kong (7%), dentre outra nações. Das compras externas, 27% são originárias de países europeus, como a Suíça, Espanha, Reino Unido, Itália, França e Alemanha. Em 2015, as importações alcançaram US$ 378,4 milhões e as exportações, US$ 378,4 milhões, resultando em déficit na balança comercial setorial de US$ 108 milhões (FOB).

 

Também no plano internacional, mantemos na Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf) um programa de fomento às exportações, denominado Imprint. Realizamos esse projeto em parceria com a Apex Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. As vendas externas promovidas pelo Imprint cresceram 22,8% em 2015, na comparação com o ano anterior. O resultado, que abrangeu 30 linhas de impressos, foi de US$ 21,6 milhões, com 26 destinos alcançados.

O número de empresas participantes do Imprint também cresceu em relação a 2014, na ordem de 30%. Com os avanços conquistados em 2015, o projeto acumula a realização de negócios com mais de 37 países e exportações superiores a US$ 95 milhões desde 2010. Desde 2003, ano de inicio da parceria entre a Abigraf e a Apex Brasil, foram efetivadas 120 missões comerciais e a participação em 84 feiras internacionais.

Outro aspecto positivo da indústria gráfica brasileira é relativo à sustentabilidade. Cem por cento do papel de imprimir produzido no País são provenientes de florestas plantadas. Assim, não se utilizam árvores nativas. Além disso, as matas cultivadas, na fase de crescimento, sequestram volume expressivo de carbono na atmosfera, contribuindo para o combate ao aquecimento terrestre.

 

Também é interessante observar como os brasileiros apreciam a comunicação impressa. A campanha mundial Two Sides, que nasceu na Inglaterra e chegou ao Brasil em 2014, agregada à Abigraf, encomendou pesquisa ao DataFolha, um dos principais institutos de nosso país, sobre as preferências de leitura da população: 59% dos leitores de livros e 56% de revistas optam pelas edições impressas. No caso de jornais, 48% preferem acessá-los em computadores, tablets e celulares e 46% continuam fiéis às formas tradicionais. É significativo o fato de que 80% dos entrevistados brasileiros afirmaram que ler em papel é mais agradável do que em uma tela.

Defendemos e acreditamos que não há canibalismo entre as mídias impressas e eletrônicas. Ambas se somam como instrumentos de democratização da cultura e do conhecimento. É assim que a indústria gráfica brasileira encara seus desafios presentes e futuros, acreditando no potencial de desenvolvimento de nosso país. O setor está preparado para atender à demanda que a comunicação impressa continuará tendo no processo civilizatório do Século XXI.

*Levi Ceregato é presidente da Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf Nacional).

 

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